Avanço da exploração e produção de petróleo e gás natural em Moçambique: Contribuição das marcas que operam no país

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A indústria moçambicana de petróleo e gás encontra-se num momento singular da sua história. Com a exploração de diferentes reservas, o país prepara-se para um grande salto na produção de petróleo e gás.

As recentes descobertas de Hidrocarbonetos, colocaram Moçambique entre os 13 países com as maiores reservas de Gás Natural do mundo, o que levou o país a ser um dos mais novos países produtores de hidrocarbonetos. Foram descobertos cerca de 128 Bilhões de pés cúbicos de Gás Natural, o que torna Moçambique na 3ª Maior Reserva do Continente Africano.

Desde 2010, Moçambique tem vindo a assistir um novo cenário no que diz respeito à pesquisa de hidrocarbonetos. Com o início das primeiras descobertas de gás na Bacia do Rovuma, através da marca americana Anadarko e posteriormente pela marca italiana ENI, cujos recursos estão actualmente na ordem dos 180Tpc (trilhões de pés cúbicos de gás), Moçambique foi colocado na lista dos maiores produtores de Gás no Mundo.

Considerado um mercado promissor, Moçambique tem recebido altos investimentos de marcas multinacionais desse ramo. Elas destacam o potencial de desenvolvimento local e as oportunidades no sector de infraestrutura, como alguns dos diferenciais de Moçambique. Fazemos aqui uma referência as marcas presentes em Moçambique:

 

A Anadarko Moçambique, é a operadora da área 1 da Bacia do Rovuma com 26.5% de interesse participativo. O Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção foi assinado a 1 de Dezembro de 2006, tendo as actividades de pesquisa levado à descoberta de gás natural do Campo Golfinho/Atum na ordem de 31,3 Triliões de pés cúbicos.

 

A ExxonMobil é uma multinacional de petróleo e gás de capital aberto,  que usa tecnologia e inovação de modo a atender às crescentes necessidades energéticas do mundo. Em Moçambique, a ExxonMobil detém uma participação indirecta de 25% na Área 4, da Bacia do Rovuma em Cabo Delgado e lidera a construção e operação de todas as futuras instalações de liquefacção de gás natural e instalações relacionadas a Área 4.

A Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A. (ENI), é uma multinacional petrolífera  presente em mais de setenta países, e actualmente é considerada a maior companhia industrial italiana. Em Moçambique a Eni actua desde 2006, com actividades de Exploração e Produção. Em particular, nesta área, a italiana obteve a aprovação do Plano de Desenvolvimento da Descoberta dos Corais, no offshore de Moçambique, pelo Governo de Moçambique. Em dezembro de 2017, a Eni e a ExxonMobil fecharam a venda de uma participação indireta de 25% da Área 4,  da Bacia do Rovuma, através de uma venda de participação de 35,7% na Eni East Africa (EEA).

A Mozambique Rovuma Venture, S.p.A – MRV, nasce da união de três grandes empresas multinacionais: a italiana Eni, a norte-americana ExxonMobil e a chinesa CNPC. Trata-se duma marca que pretende através da sua experiência colocar Moçambique na rota internacional da produção de Gás Natural. Muito mais do que impulsionar a economia nacional, o modelo operacional desenhado para a implementação do projecto, possibilitará o progresso e desenvolvimento de Moçambique.

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos-ENH, é uma entidade do Estado Moçambicano responsável pela pesquisa, prospecção, produção e comercialização de produtos petrolíferos e representa o Estado nas operações petrolíferas. Criada em 1981, a ENH tem ajustado a sua estrutura empresarial às necessidades da indústria e do mercado nacional e internacional, afirmando-se como um grupo empresarial com competência para participar em todas as operações petrolíferas e nas respectivas fases das actividades de pesquisa, exploração, produção, refinação, transporte, armazenamento e comercialização de hidrocarbonetos e dos seus derivados.

A Sasol é uma marca internacional de energia e química estabelecida em 1950 e figura entre uma das maiores empresas produtoras de combustíveis a nível mundial. Em Moçambique, a Sasol funciona com a designação de Sasol Petroleum International (SPI), efectua o desenvolvimento e a gestão da exploração e produção de petróleo e gás da Sasol em Moçambique, na África do Sul e em outros países. Em 2003, a Sasol levou a cabo uma intensa campanha de perfuração que incluía furos de pesquisa e produção sobre o jazigo de Pande-Temane que resultou na expansão das reservas e descoberta do campo de Gás de Inhassoro.

A Galp é um grupo de empresas portuguesas que actuam no sector de energia. É detentora da Petrogal e da Gás Portugal, sendo hoje um grupo integrado de produtos petrolíferos e gás natural, com actividades que se estendem desde a exploração e produção de petróleo e gás natural, à refinação e distribuição de produtos petrolíferos. Actualmente, a Galp Energia detém 10% de participação do plano de desenvolvimento do projecto de produção e venda de gás natural proveniente do Coral Sul, na Área 4, localizada na bacia Rovuma,  em Moçambique.

A Kogas é uma marca sul-coreana que actua na comercialização de gás natural  e na geração de energia eléctrica. Em Moçambique a sul-coreana detém uma participação de 10% na Área 4 da Bacia do Rovuma e se encontra ainda a implementar o Projecto de Distribuição de Gás de Maputo e Marracuene (PDGM), numa sociedade com a ENH.

 

A Corporação Nacional de Petróleo da China-CNPC é uma petrolífera chinesa, fundada em 1988, resultante do processo de reforma do sector petrolífero chinês e do fim do controle directo pelo Ministério do Petróleo da China. Em Moçambique, a CNPC é parceira na Área 4 da Bacia do Rovuma, onde a empresa chinesa adquiriu uma participação indirecta em 2013, através da Eni.

 

Mitsui & Co é um grupo japonês que iniciou as suas actividades em Moçambique em 1997. Deste então a marca já investiu mais de mil milhões de dólares. Em Março de 2017 o grupo japonês, após cerca de três anos de negociações, comprou 15% da participação de 95% detida pelo grupo brasileiro Vale na mina de carvão de Moatize. O grupo faz ainda parte do consórcio de empresas que têm concessão para operar na Área 1 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique, onde foram descobertos grandes depósitos de gás natural.

 

ONGC Videsh Ltd (OVL), é uma empresa do grupo indiano ONGC. A empresa possui actualmente cerca de 38 projetos de petróleo e gás em 17 países, incluindo Moçambique, Vietnã, Rússia, Sudão, Sudão do Sul, Irã, Iraque, Líbia, Mianmar, Síria, Brasil, Colômbia, Venezuela, Cazaquistão, Azerbaijão, , Bangladesh e Nova Zelândia. Em Moçambique a empresa pretende investir mais 3 mil milhões de dólares na exploração e aproveitamento de gás natural na Área 1.

 

PTT Exploration an Production Pcl (PTTEP),  é uma empresa de origem tailandesa que opera no ramo da exploração e produção de petróleo. O grupo estatal tailandês adquiriu em 2012 a empresa irlandesa Cove Energy, que dispunha de uma participação de 8,5% da Área 1 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique.

 

Oil India Limited (OIL) é uma companhia petrolífera estatal, sediada na Índia. o grupo indiano controla 4,0%, da Área 1 na bacia do Rovuma, norte de Moçambique.

 

Bharat Petroleum Corporation Limited é uma empresa indiana de petróleo e gás, sediada em Mumbai na Índia. Em 2011, a BPRL efectuou algumas descobertas no Brasil (hidrocarbonetos leves), em Moçambique e na Indonésia (petróleo e gás) tendo descoberto ainda gás natural em quatro dos seis poços perfurados em Moçambique.

 

O Contrato de Concessão para Pesquisa e Produção na Área 1, foi assinado a 1 de Dezembro de 2006, tendo as actividades de pesquisa levado à descoberta de gás natural do Campo Golfinho/Atum na ordem de 31,3 Triliões de pés cúbicos. A Área 1 da bacia do Rovuma é operada pela Anadarko Moçambique, com uma participação de 26,5%, a ENH Rovuma, subsidiária da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) com 15%, Mitsui E&P Mozambique Area1 Ltd com 20%, ONGC Videsh Ltd com 10%, Beas Rovuma Energy Mozambique Limited com10%, BPRL Ventures Mozambique com 10%) e a PTTEP Mozambique com 8,5%.

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, ENH, prevê que sejam produzidas mais de 12,8 milhões de toneladas do Gás Natural Liquefeito, na Área 1, da bacia do Rovuma, até meados do próximo ano.

Nos últimos anos, Moçambique tem escalado os rankings mundiais de energia. Um dos factores responsáveis pela posição de destaque do país é o crescimento contínuo das descobertas de gás natural. A entrar na lista dos países líderes da produção global de hidrocarbonetos em águas profundas e ultraprofundas, estima-se que Moçambique aumente a sua autossuficiência na produção de energia e se torne numa referência a nível do continente.

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